Por Vitor Marques: Um lume de esperança

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Começa hoje, em todo o país, o processo de eleições municipais. Para nós, que vivemos em São Paulo, serão 45 dias que exigirão muito ímpeto para realizarmos campanha em um ambiente público resistente ao diálogo. Afinal, a cultura política singular do paulistano nos obriga a redobrar as atenções neste momento histórico de graves agressões à democracia e aos direitos fundamentais. 

É bem verdade que São Paulo catalisou todo este fervor político dos últimos três anos. Logo de início, junho de 2013 não permitiu a conhecida “lua de mel”, entre o prefeito recém-eleito e a população. O ambiente gerado aqui se alastrou e influenciou o restante do país, em uma onda de contestação e negação do sistema político. Seus desdobramentos têm reflexos até hoje. Em sequência, já em 2014, São Paulo e o Brasil, foram palco da Copa do Mundo, um evento esportivo que trouxe, também, inúmeros debates políticos. Tal ebulição política coincidiu com a eleição presidencial, que veio a ser a mais disputada e intensa do regime democrático pós-ditadura, acentuando, assim, as divisões da sociedade e as hostilidades.

Como se não bastasse, a intensificação da “Operação Lava-Jato”; as angústias de uma anunciada crise de abastecimento hídrico; o acirramento dos ânimos políticos que desaguaram em uma polarização jamais vista e, finalmente, o lamentável afastamento de uma presidenta da República democraticamente eleita, que instituiu no país um estado de exceção; acabaram por dinamitar qualquer permeabilidade da população paulistana para o debate político.

É neste ambiente, combinado com um grave retrocesso econômico que decidiremos os rumos da nossa querida São Paulo.

É preciso enfatizar que, mesmo com todas estas dificuldades, a cidade não parou. Pelo contrário, a cada dia se transforma. O governo do prefeito Fernando Haddad não só reagiu, mas agiu. Não se deixou levar pelo ambiente de adversidades, manteve o governo na rota para uma cidade aberta, com melhoria da vida da porta para fora, com mais tempo para as pessoas, mais espaço para ser compartilhado por todas e todos, e, em especial, para aqueles que mais necessitam da presença do poder público, como os trabalhadores da periferia, os jovens, mulheres, negros, gays, travestis, transexuais, pessoas em situação de rua, dependentes químicos e pobres.

Presenciamos estas transformações que apontam, de fato, para um novo modelo de cidade. Sem dúvida foram dados alguns passos para concretizar uma cidade mais humana e colorida, buscando sempre maior vivacidade em nossas escolhas, que prezam, sobretudo, pelo convívio e pelo coletivo, modificando o dia a dia do cidadão que tem mais restrições para desfrutar da cidade.

Entretanto, é preciso ressaltar que diante de uma grave recessão econômica, a prioridade foi sempre garantir mais dignidade para aqueles que a tiveram historicamente negada. Assim, o governo Haddad concretizou projetos como a ampliação da rede de saúde, com a reforma total e/ou construção de três hospitais gerais (Jabaquara, Parelheiros e Brasilândia), com a “Rede Hora Certa”, “UPA” e “UBS”, reduzindo, assim, pela metade a fila de espera; com as faixas exclusivas e corredores de ônibus beneficiando e garantindo mais tempo disponível para as pessoas que mais necessitam do transporte público; o passe-livre estudantil para 600 mil jovens carentes; a abertura de aproximadamente 100 mil vagas de creches, beneficiando as crianças e em especial, os pais e mães; a instalação das lâmpadas de LED na periferia, garantindo assim maior iluminação e segurança para aqueles que acordam quando ainda é noite; a abertura de cursos de ensino superior nos CEUs, com a UniCEU, promovendo o acesso à Universidade para os filhos do trabalhadores e trabalhadoras; a descentralização e democratização da cultura por meio da Virada Cultural  e do Circuito São Paulo de Cultura.

Há muitas outras realizações: das simbólicas e paradigmáticas, como as ciclovias e as vias abertas aos pedestres, às ousadas e humanizadoras, como a política de redução de danos, do “De braços Abertos”. E muitas ainda estão por vir. São Paulo nunca para, e neste momento está num ritmo acelerado de transformações que permitirão uma vida com mais dignidade.

Questionando, desde 2013, as estruturas de poder e apresentando novas formas de organização e manifestação, com maior sensibilidade para compreender as transformações da cidade, a juventude coloca-se como protagonista nesta eleição.

A escolha para a prefeitura de São Paulo apresentará reflexos em âmbito nacional. A eleição municipal sinalizará para sonhos que temos no município, mas também, para sonhos que temos como Nação.

Acredito que Fernando Haddad, pelo que fez e pelo que propõe, representa a alternativa capaz de intensificar as mudanças em São Paulo para uma cidade cada vez mais democrática e uma resposta ao cenário nacional, neste momento de avanço do conservadorismo e da intolerância. É necessário diálogo para entendermos o delicado momento político e protagonismo para seguirmos dando respostas às dificuldades, necessidades e sonhos daqueles que aqui vivem. Haddad detêm estas características, além de representar um alento de que o campo progressista resiste na maior trincheira nacional.

Ele figura, neste nevoeiro que atinge o cenário político, como um lume de esperança para a cidade, país e a Política.

Vitor Marques, 22 anos, estudante de Direito da PUC-SP, está membro do Centro Acadêmico 22 de Agosto da PUC-SP e Secretário Municipal de Juventude do PT de São Paulo.

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