Por João Bravin: A vitória da negação da política

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Ontem 35% dos 8.826.324 de eleitores aptos a votar em São Paulo escolheram um projeto que representa os 10% mais ricos do país.

 

Mais triste ainda é que 35% desses mesmos 8 milhões de eleitores ficaram em casa, votaram branco ou nulo.

 

Foi difícil ver um cara da sua quebrada pegar um santinho do Dória no chão, olhar, olhar e dizer é esse aqui.

 

Hoje teremos análises de onde foi que erramos, quem foram os culpados, mídia, sistema eleitoral anacrônico, marcatismo ao PT e até uns que dirão " esse povo de São Paulo tem mais é que se ‘foder’ mesmo, escolheu Dória então toma".

 

Na cabeça daquele jovem que pegou o santinho do Dória no chão na minha frente, política para LGBT, funk na quebrada, redução de velocidade, bicicletas como meio de transporte, faculdade no CEUs, não interessa. Para ele políticos não prestam, são todos ladrões.

 

Política pública pra povo pobre não cabe no orçamento, como dizia o candidato Major Olímpio e Dória disse mais: “vou vender tudo, mais eficiência e menos gasto para o município”.

 

A vitória da negação da política me preocupa mais do que a derrota do meu partido, até porque derrotas e vitórias fazem parte da democracia.

 

A negação da política e de partidos, seletivamente, leva ao fascismo e este cenário cresce quando a abstenção ganha do candidato da direita em São Paulo.

 

O que nos resta?

 

Resistir sim, ouvir sim, unificar a esquerda sim, criar Fórum dos Movimentos em São Paulo sim.

 

Uma frente ampla que una os movimentos populares, sindical, estudantes secundaristas, universitários e partidos que lutam contra o golpe.

 

Horizontalidade não é perda de identidade, mas sim maturidade para ouvir, construir e resistir, para manter viva a luta da classe trabalhadora.

 

Golpistas, fascistas não passarão se nós entendermos e não culparmos o mano que pegou o santinho do Dória no chão. Ele não é a causa, mas sim o efeito, do crescimento da negação da política e da nossa falta de união.

 

Então, conclamo a todos uni-vos na resistência e pela criação do Fórum Popular da Resistência em SP.

 

* João Bravin é Secretário de Comunicação PT da Capital e assessor da CUT Nacional

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