Por Douglas Izzo: Temer aumenta verbas publicitárias e retira direitos dos trabalhadores

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Imprensa criou condições para o golpe e agora cumpre papel de linha auxiliar do governo

 

Desde que a presidenta eleita Dilma Rousseff foi afastada do cargo, em maio de 2016, e Temer assumiu interinamente a presidência, as despesas federais com publicidade dobraram e ajudaram a salvar muitos veículos falidos. É o pagamento pelos bons serviços prestados pela velha imprensa oligárquica após a legitimação do golpe.

Segundo levantamento feito por Miguel do Rosário, no O Cafezinho, os gastos com os jornais impressos cresceram 934% de maio a agosto. Enquanto o governo propõe cortes de investimento na saúde e educação pelos próximos 20 anos, o “bolsa-mídia” distribuiu ao Estadão R$ 307 mil, à Folha R$ 303 mil, e ao Valor R$ 347 mil. Somente as Organizações Globo – o poder dominante - receberam R$ 15,8 milhões de repasses federais, 24% a mais do que no ano anterior.

No mesmo período, a editora Abril, da revista Veja, voltou a se recuperar graças ao dinheiro público que recebeu. Enquanto o governo Temer vende a ideia de que é preciso penalizar os trabalhadores com a reforma da Previdência, o total repassado à Abril teve um crescimento de 624% se comparado ao mesmo período de 2016. Temer também pagou, com dinheiro público, mais de R$ 3 milhões para o Facebook e mais de R$ 616 mil para o Twitter veicularem propagandas governamentais. E a distribuição de verbas, que voltou a ser concentrada nos grandes veículos, não parou por aí. Confira aqui o levantamento completo.

Não por acaso todos esses grandes veículos são os mesmos que tentam, a todo o momento, convencer os cidadãos de que as medidas neoliberais anunciadas pelo governo biônico de Temer são a salvação para o País. Defendem a PEC 241 – PEC do Fim do Mundo; a reforma da previdência com retirada de direitos, como o fim da aposentadoria rural, idade mínima de 65 anos e tempo mínimo de contribuição de 25 anos; o arrocho do salário mínimo; a flexibilização das leis trabalhistas; entre outras medidas que afetam diretamente os trabalhadores e o povo mais pobre deste País.

É o jogo de interesses operando no pós-golpe. Pura falácia de uma mídia golpista que ajudou a criar as condições para o golpe e agora precisa terminar de cumprir o seu papel de linha auxiliar na legitimação de um governo ilegítimo. Por conta de seus problemas financeiros e de suas relações obscuras com o poder, os principais veículos de comunicação continuarão a fazer esse jogo sujo, a menos que vejam os seus interesses serem ameaçados.

Desemprego, crise? Que crise se o governo até baixou o preço da gasolina? É preciso muita grana e sordidez para se sujeitar a noticiar de forma espetaculosa essa falácia da diminuição do preço dos combustíveis que praticamente não chegará ao consumidor final - previsões mostram que os postos irão diminuir de um a três centavos. Perderam a noção do ridículo na tentativa de construir uma narrativa de que o país entrou em uma curva de crescimento sustentável e que agora tudo vai melhorar.

A principal tarefa em curto prazo da imprensa golpista como linha auxiliar do governo é garantir a aprovação da PEC 241 no Senado e a reforma da Previdência. Já está em andamento a publicação diária de uma enxurrada de notícias falsas tentando convencer o cidadão de bem que retirar direitos é necessário. Precisaremos resistir nas ruas, nos locais de trabalho e nas redes. Nesse sentido, dia 11 de novembro, Dia Nacional de Greve, é uma importante oportunidade de denunciarmos os ataques aos nossos direitos. Os setores golpistas da sociedade tentarão ganhar a opinião pública. E é o nosso papel contar a verdade e resistir.


*Douglas Izzo é presidente da CUT São Paulo

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