Fila por vagas em creches em SP cresce 60% na gestão Doria

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Tucano diz ter abandonado instalação de creches em prédios privados e não informou se já houve alguma doação de verba ao Fumcad para criação de vagas

Fernando Pereira / SECOM-PMSP/ Fotos Públicas

A espera por vagas em creches no município de São Paulo superou 104 mil crianças na fila, em 30 de junho deste ano. O número é 60% maior do que a meta de criar 65,5 mil vagas para zerar a fila até março de 2018, estabelecida pelo prefeito da capital paulista, o tucano João Doria (PSDB), em janeiro deste ano.

Além disso, o programa Nossa Creche, lançado em 3 de março, com objetivo de arrecadar verbas para o Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (Fumcad) – que depois seriam destinadas à abertura de novas unidades – e obter cessão de prédios privados sem uso para criação de creches, ainda não apresentou resultados.

Vale lembrar que o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) fez 410 novas creches, uma média de duas por semana, porque esta era uma das principais queixas dos munícipes em 2013.  No total da educação infantil, criou 100 mil lnovas matrículas.

No caso dos prédios, Doria anunciou em 27 de março que já havia recebido propostas para instalar creches em 25 prédios de empresas, muitas delas agências bancárias inativas. No entanto, até agora, nenhuma delas foi transformada em creche.

Em nota encaminhada na segunda-feira (24), a Secretaria Municipal da Educação informa que esta ideia foi abandonada desde o início do Programa Nossa Creche, mas tal informação não havia sido publicada em nenhum dos canais oficiais da prefeitura.

No mesmo dia, Doria reuniu empresários e o ministro da Educação, Mendonça Filho, no Teatro Municipal, para pedir doações ao Fumcad, com objetivo de ampliar o número de vagas no município, principalmente em parcerias com Organizações Sociais (OSs).

No entanto, nenhum balanço de valores recebidos foi divulgado. A página do Fumcad não tem dados atualizados sobre a valor existente no fundo.

A meta proposta por Doria é relativa à demanda no dia 31 de dezembro de 2016. Esse número desconsidera o crescimento da procura ao longo do ano, com a inscrição de novas crianças. O total tem 772 crianças a mais do que no mesmo período do ano passado.

O número atual, porém, ainda deve aumentar até o final do ano, já que a qualquer momento novas crianças poderão ser inscritas no sistema. Os distritos com as maiores demandas são Cidade Tiradentes, na zona leste, com 11.273 crianças na fila; Grajaú, na zona sul, com 11.226; e Brasilândia, na zona norte, com 11.222.

No início da gestão, o prefeito dizia que a meta era criar 103 mil vagas para zerar o déficit. Em janeiro, o secretário Municipal da Educação, Alexandre Schneider, anunciou que seriam 66 mil.

Doria disse ainda que criaria 96 mil vagas até o final da gestão, mas a promessa acabou alterada no Programa de Metas, que propõe o aumento de 30% as atuais 284.217 vagas em creches até 2020. O que totaliza aproximadamente 85 mil vagas, já incluídas as 65,5 mil previstas para 2018.

Os dados da demanda indicam ainda que há 1.191 matrículas para creche em processo, bem como 1.119 para a pré-escola, cuja fila Doria afirmou ter zerado em março. Segundo a secretaria, esse dado corresponde à demanda que está em processo de atendimento, com vaga garantida. Na pré-escola, a gestão Doria eliminou salas de informática, de leitura e brinquedotecas de, pelo menos, 33 escolas para criar novas vagas.

Segundo publicação do jornal Agora, nesta quarta-feira (26), se Doria quiser cumprir a promessa de criar 65 mil vagas em creches, sua gestão teria de matricular 224 crianças de zero a três anos de idade, em média por dia, até março de 2018. Mesmo assim, não atenderia as 104.268 que estavam na fila até junho.

Fonte: Agência PT de Notícias, com informações da Rede Brasil Atual e Extra

 

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